Comecei a ler por obrigação e, tudo que assim o é, por excelência tende a ser chato. Pois bem, foi assim mesmo que eu julguei O apanhador no campo de centeio. Baita chatice aquele adoslecente confuso, seu fluxo de pensamento e sua pseudo-homossexualidade em relação aos companheiros de internato. Acontece que insisti e está aí uma dica importantíssima pra quem lê - insista, meu caro leitor, insista - na insistência, ou melhor, lá pela página 40, o fluxo foi ficando mais compreensível, as lembranças de meus dezessete anos vieram, e mais, veio-me a exata sensação de ler Retrato de um artísta quando jovem, de James Joyce. Pensei, esse anti-herói não é um babaca. Ele é um sensível, um revoltado, um mentiroso, um ser apaixonante. Adoro esses tipos, desde Um certo capitão Rodrigo, não valem nada, mas me apaixono por eles... Enquanto leio, reflito sobre quem é esse cara, que tem todo o discurso do politicamente correto dentro de si, mas que simplesmente não quer subscrevê-lo. Em tempos de juventude e adultos sacanas, caretas e medrosos, Holden decide agir, mune-se de seu amuleto, um chapéu vermelho, e sai em busca do imprevisto, do novo, da descoberta. Passa vergonha, é claro, estamos todos sujeitos, mas não se importa e segue flanando por Nova Iorque. Vamos com ele e, quando a viagem chegar ao fim, conto.

 



Escrito por Biula às 21h44
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