A notícia de que duas obras do Banksy foram roubadas de uma galeria em Londres só reforça a idéia do meu último post. Preste atenção na quantidade de obras produzidas em cada série do autor. É ou não o ápice da arte na era da Indústria Cultural?

http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/2010/05/19/obras-do-grafiteiro-banksy-sao-roubadas-em-galeria-de-londres.jhtm

 

Ps. Nada me tira da cabeça que o próprio autor tenha praticado o furto, jogada de marketing, não?



Escrito por Biula às 16h25
[] []



 Mês passado fui convidada pelo @alevieira para ler "eu fui Vermeer", de Frank Wynne. A proposta era uma leitura feita por algumas pessoas e uma posterior discussão em grupo. Esse é meu esforço para que o papo aconteça virtualmente. Uma coisa chamou minha atenção desde o início: na capa o título do livro está escrito em minúscula, exceto pelo sobrenome do pintor. Pensei: por  quê? Será que a CIA das Letras cometeu uma gafe dessas? Bem, acho que não. Trata-se de uma lógica do projeto editorial que está envolvida com a lógica da nossa atual indústria cultural que por sua vez está presente no enredo (um misto de falso e verdadeiro). Alguém chegou a pesquisar o que é verdade e o que é mentira nesse livro? Na internet não vale porque é meio "terra de ninguém". Isso importa, mas não muito, então sigo em frente...

 

Nesse jogo de mentiras (que mais parece um labirinto de espelhos) estamos também nós, leitores, na medida em que não podemos - a não ser pesquisando - saber qual é a verdade. Assim, as palavras lenda e falsário, que aparecem no subtítulo, podem se encaixar como mais um espelho do labirinto. Afinal, quem é o "eu" do título? Van Meegeren? Frank Wynne? Ou a reprodução de Andy Warhol que está na parede da sala? Quem é o grande mestre? E o que ele representa? Como responder a essas questões????

Nesse momento é que poderia entrar na nossa conversa Sherlock Holmes. Trata-se do detalhe, do ponto de vista, da linha de raciocínio... e o Holmes sabe muito bem o que é isso. Ao ler qualquer uma de suas obras, nós ficamos feito doidos tentando desvendar até antes dele o tal crime. E por que não conseguimos? Incapacidade? Claro que não. Não conseguimos porque isso faz parte do truque de Conan Doyle em não revelar ao leitor todas as informações de que o Holmes dispõe. Mas saber isso torna a leitura chata, então eu vou fingir que não escrevi nada disso e vou continuar tentando racionalizar os crimes e descobrir o assassino, senão antes, ao menos junto com o Holmes. (O que não é o cinema, agora, toda vez que escrevo Holmes, vem à minha cabeça a imagem do Robert D. Jr, deeerrrr!)

Continuando, acho que uma das reflexões mais interessantes que esse livro me trouxe foi a questão da força da indústria cultural e, ao mesmo tempo, do quanto resistimos a ela. Só ficamos pensando no que é a arte, no verdadeiro artista e tudo o mais, porque temos conosco que a Arte é um processo artesanal e que o artista genial é aquele capaz de virtuosismos impensáveis. Claro que não estou defendendo a máquina de reprodução, mas é fato (ao menos no livro) que o Van Meegeren tinha talento. Teve talento até mesmo pra viver como as celebridades de hoje vivem. Às vezes, fico pensando que o mercado das artes anda dosando certinho a medida que a indústria cultural vai girar e empurrar o capitalismo. O sistema preserva em nós o fetiche pelo original na medida em que 1 Warhol é vendido por 36 milhões de doletas e nós nos "contentamos" com o nosso imã de geladeira. E vocês, o que acham???? 



Escrito por Biula às 21h31
[] []



Comecei a ler por obrigação e, tudo que assim o é, por excelência tende a ser chato. Pois bem, foi assim mesmo que eu julguei O apanhador no campo de centeio. Baita chatice aquele adoslecente confuso, seu fluxo de pensamento e sua pseudo-homossexualidade em relação aos companheiros de internato. Acontece que insisti e está aí uma dica importantíssima pra quem lê - insista, meu caro leitor, insista - na insistência, ou melhor, lá pela página 40, o fluxo foi ficando mais compreensível, as lembranças de meus dezessete anos vieram, e mais, veio-me a exata sensação de ler Retrato de um artísta quando jovem, de James Joyce. Pensei, esse anti-herói não é um babaca. Ele é um sensível, um revoltado, um mentiroso, um ser apaixonante. Adoro esses tipos, desde Um certo capitão Rodrigo, não valem nada, mas me apaixono por eles... Enquanto leio, reflito sobre quem é esse cara, que tem todo o discurso do politicamente correto dentro de si, mas que simplesmente não quer subscrevê-lo. Em tempos de juventude e adultos sacanas, caretas e medrosos, Holden decide agir, mune-se de seu amuleto, um chapéu vermelho, e sai em busca do imprevisto, do novo, da descoberta. Passa vergonha, é claro, estamos todos sujeitos, mas não se importa e segue flanando por Nova Iorque. Vamos com ele e, quando a viagem chegar ao fim, conto.

 



Escrito por Biula às 21h44
[] []



Continuo encanada com os tênues limites entre ficção e realidade. No caso da ficção científica, o prefácio do livro do post anterior e esse link abaixo, mostram como a noção de ficção interferindo na realidade e vice-versa permeia nossa existência. E vc caro (a) admirador (ra) secreto(a), o que acha?

http://tecnologia.uol.com.br/album/20090515_filmes_album.jhtm

 

 

A imagem acima é do primeiro filme de ficção científica Le Voyage dans le Lune (1902), de Georges Méliès.

Ps. O cinematógrafo havia sido patenteado pelos irmãos Lumiére apenas sete anos antes.



Escrito por Biula às 21h51
[] []



 

Sobre histórias de robôs, veja: http://maisumapalavraqualquer.blogspot.com/

 



Escrito por Biula às 21h13
[] []



Podemos dizer que o escritor estadunidense Philip K Dick está duplamente envolvido com Minority Report - o filme. Primeiro porque ele deriva de um de seus contos publicado em 1956 e, segundo, porque a fotografia e a constante chuva que se ajusta à melancolia do personagem John Anderton lembram, e muito, o ambiente de Blade Runner - o caçador de androides, filme produzido a partir do livro Do Androids dream of electric sheep? também de Dick e filmado por Ridley Scott.

Assista ao vídeo e verifique você mesmo! Além disso, descubra que aquela famosa música de formaturas e casamentos é do Vangelis e está em Blade Runner. Se quiser, dê uma vasculhada nas músicas desse cara e você reconhecerá muitas outras, mesmo tendo menos de 16 anos!!!

 

Outro destaque é a referência ao clássico Laranja Mecânica, do diretor Stanley Kubrick. Só de ver a foto abaixo, você certamente lembrará de qual parte de Minority estou falando...

Mas o filme de Spielberg não é uma mera adaptação do conto de Dick e referência a clássicos do cinema, tem muito do diretor. A sequência de ação que dura praticamente 30min é impressionante e o final, eu diria, tosco. Nem tudo é perfeito, não é mesmo?

O questionamento de a que estamos dispostos a aceitar, como sociedade, para nos livrarmos da violência é bem interessante. Seríamos capazes de perder nossa privacidade e mandar pra cadeia seres que não chegaram a cometer crimes? De fato, ainda precisamos discutir esse assunto.

A sede de poder, personificada pelo personagem Lamar, nos remete aos nossos governantes. Seriam eles, tais quais esse senhor de fisionomia dócil?



Escrito por Biula às 09h03
[] []



Li, gostei (afinal, o garoto captou a ideologia de cada veículo) e decidi republicar, para algumas e muitas sobre cinema, procure: www.travessaliteraria.blogspot.com, por Breno Rodrigues de Paula.

 

 

 

 

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
Chapeuzinho Vermelho na imprensa
Chapeuzinho Vermelho na imprensa

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'.
(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): '... que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um
lobo, não é mesmo?'

BRASIL URGENTE
(Datena): '... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da
vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo,não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.'

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos
lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'.
Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada,eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida v iva e sobreviver


Escrito por Biula às 11h03
[] []



Antero de Quental foi um prodígio. Aos 23 anos já duelara com um acadêmico e organizava as Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense. Esse português há que ser um exemplo à nossa juventude, que vive numa insistente pasmaceira ideológica. Esse homem revelou, em seus poemas, o quanto a sensibilidade e o modo como a vida se configura diante de nós podem nos transformar. Avante!

Aqui vão dois de seus poemas:

 

HÁ DOIS TEMPLOS NO ESPAÇO

 

HÁ DOIS TEMPLOS NO ESPAÇO – UM DELES MAIS PEQUENO;

O OUTRO, QUE É MAIOR, ESTÁ POR CIMA DESTE;

TEM POR CÚPULA O CÉU, E TEM POR CANDELABROS

A LUA AO OCIDENTE E O SOL SUSPENSO AO ESTE.

 

DE SORTE QUE QUEM ´STÁ NO TEMPLO MAIS EXÍGUO

NÃO PODE VER NASCER O SOL, NEM PODE VER

AS ESTRELAS NO CÉU – QUE OS TETOS E AS COLUNAS

NÃO O DEIXAM OLHAR NEM A CABEÇA ERGUER.

 

É PRECISO ABALAR-LHE OS TETOS E AS COLUNAS

POR QUE SE POSSA ERGUER A FRONTE ATÉ AOS CÉUS...

É PRECISO PARTIR A IGREJA EM MIL PEDAÇOS

POR QUE SE POSSA VER EM CHEIO A LUZ DE DEUS!

 

 

 

HOMO

 

NENHUM DE VÓS AO CERTO ME CONHECE,

ASTROS DO ESPAÇO, RAMOS DO ARVOREDO,

NENHUM ADIVINHOU O MEU SEGREDO,

NENHUM INTERPRETOU A MINHA PRECE...

 

NINGUÉM SABE QUEM SOU... E MAIS, PARECE

QUE HÁ DEZ MIL ANOS JÁ, NESTE DEGREDO,

ME VÊ PASSAR O MAR, VÊ-ME O ROCHEDO

E ME CONTEMPLA A AURORA QUE ALVORECE...

 

SOU UM PARTO DA TERRA MONSTRUOSO;

DO HUMUS PRIMITIVO E TENEBROSO

GERAÇÃO CASUAL, SEM PAI NEM MÃE...

 

MISTO INFELIZ DE TREVAS E DE BRILHO,

SOU TALVEZ SATANÁ, - TALVEZ UM FILHO

BASTARDO DE JEOVÁ; - TALVEZ NINGUÉM!

 



Escrito por Biula às 16h29
[] []



 

Isso é coisa de fã mesmo, eu sei. Mas não é todo dia que tiro foto com alguém de voz tão doce, sensibilidade ímpar e, acima de tudo, paciência. Não sei se trata-se do fenômeno músicas grátis na rede, mas que Fernanda ficou mais de uma hora autografando cds, ficou. Uma gentileza em pessoa. Show excelente, recomendo!!! Viva a bossa nova!

Ps. Até Duran Duran rolou, ela estava inspirada! Eu, anos 80, gostei!



Escrito por Biula às 01h01
[] []




Muse - Hysteria from zaiD on Vimeo.

Essa semana estava ouvindo esse som e lembrei-me de um evento ocorrido quando tinha 16 anos e que mudou minha maneira de sentir a música. Conto: meu professor de literatura presenteou-me com uma fita cassete (é, naquele tempo era assim) recheada de músicas clássicas. Ouvi, pasmem!, pela primeira vez, Beethoven, Mozart e Tchaikovsky. Aos ouvir tais canções, minha cabecinha pôs-se a funcionar e milhares de figuras se formaram em minha mente. Era a imaginação criativa e eu nem sabia. Tomei consciência de que é isso o que acontece quando ouvimos boa música, muuuiiitttoo depois. Hoje, ao ouvir o solo de guitarra de Hysteria, tenho a mesma sensação e sei que muito de minha criatividade vem do delicioso exercício de ouvir os mais variados gêneros musicais. E você, o que ouve para exercitar sua criatividade?



Escrito por Biula às 10h44
[] []



O Caminho do poço das lágrimas é minha mais recente leitura. Conhecia a fama de André Vianco, mas nunca o havia lido. Sua escrita é fluente, um tanto poética, porém é na temática que o rapaz é singular. Explico: na literatura anglo-saxônica é comum fabular sobre mundos sombrios, cheios de monstros esdrúxulos que nos fazem perguntar se estamos no plano da vida ou no além. Para um latino, isso não é comum e Vianco viaja exatamente nesse fio tênue. Esse livro, em especial, tem algo do Nonsense, do mistério de Poe e muito do inconsciente de Freud, mas tem também uma delicadeza no trato com a palavra que faz com que, após a leitura, tenhamos a impressão de termos vagado por um caminho escuro, sombrio, gelado, mas para todos imposto. A ilustração de Lese Pierre pulula entre o mórbido e o lúdico, acompanhando-nos nessa viagem ao túnel de luz!



Escrito por Biula às 11h53
[] []




TEMPORAL : The Art of Stephan Doitschinoff (aka Calma) from Jonathan LeVine Gallery on Vimeo.

Um tempo atrás encanei em comprar revistas de Design. Numa banca qualquer, encontrei a Zupi, uma publicação brasileira que dá a valiosa chance para os caras que desenham, colam e fazem outras invencionices brilhantes ganharem visão. A arte de Stephan logo me encantou. Ele deu uma entrevista à revista e falava de sua influência, a arte medieval. Sua mistura de imagens barrocas com técnicas do grafite me surpreendeu. É um cara com certa bagagem cultural que soube, em tempos propícios, reinventar uma arte consagrada. A ideia de "pintar uma cidade" como ele relata no vídeo acima, mostra que os sonhos de um artista não têm mesmo limites (embora isso seja um chavão, é preciso sempre dizê-lo). Hoje, Lencóis, na Bahia, pode dizer que sua periferia será visitada. Além de colorir a vida pacada e maçante desses excluídos, Stephan mostra a eles o que é ser artista e isso acontece num círculo de pessoas que sequer imaginou tal feito.

 



Escrito por Biula às 23h47
[] []



QUEM BATE À MINHA PORTA?

Sexta-feira. Madrugada. Documentário num canal da TV "fechada". A história da geração de cineastas de San Francisco.

O documentário relatava a luta entre o grupo da cidade e o império de Hollywood, o "fracasso" de George Lucas com THX 1138, sua união com Martin Scorsese, a amizade entre estes e Spielberg, a nova geração formada por Chris Columbus, a resistência de Saul Zaentz entre outras histórias. Animadíssima, corri até uma locadora, no dia seguinte, à procura de um exemplar de algum desses, hoje, famosos diretores. Deti-me a alguns passos de Who´s that knocking at my door, filme em pb de Martin Scorsese.(Faz-se necessário dizer que o estabelecimento de locação de filmes de uma cidade pequena do interior do estado de SP não tinha, PASMEM!!, cópias de O poderoso chefão). Pois bem, comecei a ver o filme e rapidamente encantei-me pela cara de invocado de Harvey Keitel, que vive J.R., um cara desempregado que gosta de beber e dar umas porradas em e com seus amigos. No entanto, a cena inicial, uma senhora partilhando e dando pão a algumas crianças chamou-me atenção. De repente, há um corte na narrativa e J.R. está de papo com uma garota, eles falam sobre filmes western, John Wayne e etc. Pensei: ele está sonhando? Não?. Não estava, era Scorsese experimentando duas narrativas paralelas já em sua primeira película (vim a saber depois que fora feita com um orçamento ínfimo, patrocinada por um de seus professores da academia de Nova Iorque).

Os dois desenvolvem um namoro e J.R. continua a beber bastante e a ter encontros sexuais com várias mulheres (nos quais temos ao fundo rock´n roll!!!). Logo após, o filme ganha sentido: ao saírem do cinema, J.R. e sua garota comentam a respeito da mocinha de um filme de faroeste. Ela acha a garota legal, ele diz que a personagem é uma assanhada. Está instaurado o conflito e explicada a cena inicial eminentemente cristã. O mocinho de Scorsese é uma espécie de vilão que duvida da própria namorada ao ouvir o relato de que fora estuprada. O jovem não consegue transcender a si mesmo, não está ajustado aos novos tempos, fora educado segundo uma forte moral religiosa e acredita que as mulheres são como objetos submissos a serem manipulados. No entando, sua namorada é um exemplo da nova mulher que encontrava a liberdade nos anos 60 e 70. O belo filme de estréia de Martim Scorsese é um excelente exercício para se pensar um período de transformações em que o maniqueísmo dos filmes western perdeu lugar para a espetacularização e quebra dos grandes relatos que vivemos na atualidade.



Escrito por Biula às 17h23
[] []



 

Dias atrás li algo parecido com "Pulp Fiction é aquele tipo de filme que a gente não entende nada, vai assistindo e no final é que cai a ficha". Li e devo discordar. Para um bom observador é fácil perceber que o que ocorre são três narrativas interdependentes, ora, se você presta atenção aos nomes das personagens e não apenas recebe imagens, rapidinho identifica a ligação entre as histórias, não é?

Pois então, esse filme tem muita coisa interessante a sua volta. Por exemplo: a palavra Pulp do título é uma referência a uma revista de pequenas histórias que Tarantino costumava ler na sua juventude. Assim, fica interessante pensar que ao escrever o roteiro, Quentin, não só pensou no formato que o inspirou, como também na temática (violência) que era bastante recorrente nas tais pulps. Saber que J. Travolta estava meio over e que deu um up em sua carreira através do filme também me faz ter um carinho especial pela produção. Merecem destaque as invencionices do diretor, por exemplo, as marcas de cigarro e hamburger que aparecem nas filmagens foram criadas pelo próprio Tarantino e aparecem em outros de seus filmes.Além de ser irônica e engraçada a passagem bíblica meio inventada meio copiada que o personagem de Jackson fala em uma das cenas reveladoras da trama integral.

Sem contar as cenas inesquecíveis: Uma Thurman cantando e dançando "Girl, You´ll Be a woman soon" - aliás, as músicas que estão nos filmes desse diretor mereciam um post inteiro - ou o carro totalmente impregnado de sangue depois que Vincent estoura os miolos de uma testemunha do crime anterior. Aliás, gosto desse quadro porque o expectador não vê a cabeça do cara sendo partida, vê apenas o sangue e conta com sua imaginação para reconstruir o quadro, o que é muito mais interessante.

Por tudo isso e mais coisas das quais nem falei, vale a pena ver e rever esse filme.



Escrito por Biula às 19h30
[] []



Em meados de Abril desse ano, resolvi fazer um projeto de leitura junto a uma quinta série em que estava dando aulas e que se demonstrou uma turma bastante leitora. Solicitei um armário para a sala e para lá levei todos os meus exemplares infanto-juvenis. Os alunos também poderiam levar exemplares seus para trocarmos indicações de leitura. Foi dessa forma que recebi um exemplar purpurinado de Pincesas do mar.

A imagem acima não revela, mas trata-se de capa com relevo purpurinado, ilustração de primeiríssima categoria e enredo atraente. Devo dizer, não propriamente atraente a uma mulher de vinte e poucos anos, mas não posso afirmar que foi uma leitura sofrível. Pelo contrário, gostei muito. Claro que já sabia o que aconteceria na próxima página, mas isso é experiência de quem lê muito e presta atenção ao andamento das várias narrativas.

Confesso que o que me encantou foi saber, ao final da leitura, que se tratava de autor brasileiro, alguém que, como eu, nascera em uma cidade do interior de São Paulo. Pensei: puxa! As meninas da quinta série estão alucinando com algo que tem raiz nacional!!! (digo isso porque a sala toda já havia lido mais de um exemplar da turma e assistia aos desenhos em certo canal da tv fechada). Foi ótimo saber que essa geração está sendo moldada por uma leitura que até lembra os desenhos estadunidenses, mas que não é de lá, e isso vale muito, pois sempre haverá algo brasileirinho nessa produção.

Há ainda Combo Rangers e muita coisa desse moço a descobrir!!!

Parabéns Fábio Yabu, cujo site, blog e quetais acompanho desde então!



Escrito por Biula às 12h08
[] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sudeste, ARARAQUARA, Mulher, de 26 a 35 anos


Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis